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Colorismo e o racismo seletivo

Nasci negra, quando criança meu tom de pele variava bastante, até que fiquei da cor que tenho hoje. Da mesma forma meu cabelo mudou ao longo dos anos, a raiz sempre foi mais lisa, mas a ponta bastante cacheada. Me lembro o quanto sofria pra lavar e pentear o cabelo, puxa daqui puxa dali, os braços de minha mãe doíam. Minha mãe se especializou em penteados, tranças, trancinhas, rabos de cavalo, maria chiquinha, tudo que pudesse controlar aquele volume.    Ainda antes dos 10 anos minha mãe começou alisar meu cabelo, só a parte da franja, que sempre teve uns “quebradinhos”. Quando fiz 18 anos resolvi que não dava mais pra suportar aquele cabelo, era difícil lidar com os cachos, empoderamento capilar não estava em alta, tampouco o feminismo, a escova progressiva entrou em cena e resolvi arriscar, achando que meu cabelo não ficaria liso, apenas mais “controlado”. E aí veio a surpresa, a progressiva deixou meu cabelo “liso”, eu lavei lavei lavei, cortei cortei cortei, até me livrar dela…
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A quem interessa?

Essa é uma pergunta um tanto quanto polêmica. Mas, de fato, a quem interessa que o povo esteja desinformado? A quem interessa que não tenhamos acesso à educação de qualidade? A quem interessa que não possamos ler sobre todos os assuntos?     Pode parecer teoria da conspiração, mas é algo histórico, social, político, desumano. A primícia básica é muito simples, é mais fácil dominar um povo que lê, estuda, raciocina, que tem conhecimento de seus direitos ou um povo desinformado? Não preciso responder. Quem não sabe o que é seu por direito jamais irá lutar por nada, sempre aceitará o que lhes for imposto, acreditando que privilégios são direitos, direitos são privilégios, em meritocracia e que se não conseguiu nada na vida foi porque não se esforçou, o contexto histórico e social não tem relevância em suas conquistas ou fracassos.    Costumo dizer que não posso criticar sobre o que não vi, assim como não posso discutir sobre um assunto que não estudei. Uma amiga sempre me diz que pre…

Violência contra a mulher, um universo além do físico

Quando falamos de violência contra mulher, violência de gênero, violência doméstica e afins logo se pensa em agressão física. Algumas mulheres argumentam que não vivem e nunca viveram relacionamentos abusivos porque nunca apanharam dos companheiros, mas a violência vai além do ambiente físico, e estes abusos também deixam marcas profundas, além da possibilidade forte de culminar em violência física e morte.    Vou listar e exemplificar os principais tipos de violência para pensarmos sobre: Psicológica: Está nesta categoria atitudes como humilhar, xingar, caluniar, manipular, perseguir, chantagear, fazer a mulher pensar que está ficando louca (gaslighting), inibir ou proibir sua liberadade de crença, controlar seu comportamento, lugares onde pode ir, pessoas que pode falar, isolar a mulher de amigos e família, vigiar mensagens, ligações, redes sociais, exigir senhas, expor questões íntimas do relacionamento, vazar fotos íntimas, fazê-la duvidar de sua importância e beleza, mexer com…

O nome dela é...

Jeniffer! Sim, Jeniffer. Não sou muito de ouvir músicas assim, acho muito parecidas, repetitivas, machistas, enfim, mas às vezes escuto e adoro a resenha, os memes... Mas o que significa a Jeniffer? Bom, quando soube que a “Marcelina” era a Jeniffer corri pra assistir o clipe e ouvir direito a letra da música. E pensei em algumas coisas...    Pra começar temos uma mulher gorda, sim gorda, ser gorda não é ofensa, o preconceito que é. Pela primeira vez que me lembre temos uma mulher gorda, linda, sensual, desconstruída, que estava no Tinder e poderia ser namorada. Quantas informações interessantes, rs.     Me fez pensar primeiramente que temos tido maior visibilidade para mulheres que quebram padrões, padrões esses que são impostos pela sociedade a fim de lucrar com o desespero daquelas que não nasceram neles mas querem se enquadrar. E aqui deixo claro que não há problema em querer emagrecer, ganhar músculos nem nada disso, só é importante pensar quais as motivações e não se desgast…

Sobre o silêncio ensurdecedor

Vocês já perceberam que raramente sentimos nossos órgãos? Sabemos que temos rins, fígado, pâncreas, intestinos, pulmões, vesícula, etc, mas se tudo vai bem nem nos damos conta de que eles estão ali, trabalhando para que estejamos saudáveis. Mas se algo vai mal... Aí vem a dor, e lembramos que temos aquele órgão.     Penso que com as pessoas acontece algo parecido, temos familiares e amigos que moram longe, ou que moram perto mas não vemos muito, não falamos todos os dias, a rotina não nos permite estar próximos, ligar, visitar, sair, checar se a pessoa está bem, usamos inconscientemente a regra dos órgãos, se tá quietinho tá tudo bem.     Até que um dia não esteja. Até que um dia percamos esta pessoa, porque ela estava com dor e não sabíamos... Ora como saberíamos? Ela não disse nada, não postou nas redes sociais. Mas o fato é que agora que essa pessoa se foi a falta dela começa a se fazer mais presente. Começamos a lembrar dos momentos vividos, da distância, tentamos nos lembrar …

Maternidade solo e abandono paterno

Primeiro quero esclarecer que não existe mãe solteira, maternidade não é estado civil. Segundo, para mim é impossível falar deste tema sem abordar o machismo enraizado. Alguns argumentam que entendem as feministas de antigamente, havia muito a ser conquistado, que hoje as mulheres já podem fazer o que querem.     Podem? Pode até ser que possam, mas podem fazer tudo que os homens fazem sem julgamento? Podem ser abusadas, agredidas, mortas sem serem culpadas ou questionadas? Podem abortar? Podem abandonar seus filhos? Podem nem querer ter filhos sem serem julgadas? Não sei para as outras mulheres, mas eu já ouvi que uma mulher sem filhos não é completa, que eu digo que não quero filhos porque não encontrei a pessoa certa, que mulher nasceu pra ser mãe, ou se sou lésbica, como se lésbicas não quisessem relacionamentos e filhos. Cresci cercada de bonecas, rodinhos, vassourinhas, batedeiras, coisas que moldam a sociedade, que fazem a mulher crescer com esse “sonho” de ser mãe imputado. …

Aceitar o que não se pode mudar

Todos nós somos seres únicos, somos uma construção de tudo que nos aconteceu, de toda genética, de todos fatores externos, de criação, família, educação, situações a que fomos expostos, somos cada um de nós é um turbilhão de fatores e sentimentos únicos, que tem que conviver com outros seres humanos, cada um com seu turbilhão de sentimentos e fatores também únicos, como administrar isso?     Bom, se partimos deste pressuposto de que cada um de nós somos seres únicos, precisamos fazer duas coisas essenciais para conseguir convivermos: respeitar e ter empatia pelo outro. Não raras vezes convivemos com pessoas que parecem ter a única e exclusiva missão de nos atazanar na terra, rs, nossa vontade primitiva é de devolver tudo na mesma moeda, ou remoer aquilo em silêncio, sofrer calado. Mas porque não paramos pra pensar que aquilo que o outro faz comigo reflete algo que é unicamente dele? E que na maioria das vezes não tem haver com a minha pessoa e sim com a pessoa dele, a construção del…